Origem e início na indústria têxtil
Filha de imigrantes espanhóis, Salvadora Lopes nasceu em 28/08/1918, em Avaré/SP, onde seu pai João Lopes trabalhava em uma fazenda de café após lutar pela Espanha em Cuba contra o domínio norte-americano. Ainda menina, foi levada para Sorocaba para morar com o tio José Crespo González.
Aos 13 anos, em 1931, começou a trabalhar na fábrica têxtil Santa Maria. No ano seguinte, foi para a Tecelagem de Votorantim, de propriedade de Ângelo Vial, onde o movimento anarquista vivia um momento de forte atuação entre imigrantes espanhóis e italianos.
Militância operária e perseguição
Reconhecida como uma trabalhadora combativa, Salvadora participou de greves e lutas sindicais ao longo de sua carreira nas fábricas Votorantim e Santo Antônio. Em 1942, foi demitida e incluída em uma lista negra elaborada pelos donos de fábricas da região, que impedia a recontratação de operários "indesejados" — entre eles, seu futuro marido João Rodrigues.
Tornou-se líder da Frente Sindical, organização com apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Anos depois, entrou em conflito com o partido ao denunciar conchavos entre membros comunistas e donos de empresas, sendo declarada "renegada e traidora" em manifesto de 1952.
A prisão de 1949
Em 1949, Salvadora liderou um piquete em frente à Fábrica Santo Antônio, reivindicando o repasse de um reajuste salarial de 49% já concedido pelo governo. A manifestação terminou em marcha até a Praça do Canhão, onde a polícia a prendeu por ordem direta do chefe de polícia — ficando detida por 20 dias.
Eleição e cassação como vereadora
Em 1947, Salvadora Lopes tornou-se a primeira mulher eleita vereadora em Sorocaba, pelo Partido Social Trabalhista (PST) — legenda que elegeu 14 dos 15 candidatos lançados. Antes de tomar posse, porém, teve seu mandato cassado, junto com outros vereadores eleitos.
Tentou nova candidatura em 1951, pelo Partido Aliança pela Paz, e novamente foi eleita — mas teve os votos anulados e o mandato cassado antes do fim da apuração.
Legado
Salvadora Lopes é lembrada como uma das mulheres mais corajosas da história de Sorocaba, tendo enfrentado industriais, ex-companheiros de partido e as autoridades de sua época. Faleceu na cidade em 19 de dezembro de 2006.
Fonte: Os Espanhóis / Sérgio Coelho de Oliveira